Minha mãe liga no meio da tarde e diz que tenho os olhos do meu avô. Como acontece todas as vezes me sinto bem com isso. É dia dos pais e sei que minha mãe tem saudade, que mais do que em qualquer outro dia, sente-se sozinha. Então sorrio meu sorriso triste com os lábios que sei, são tão tortos quanto os dele foram um dia. Eu sou, com meus olhos baixos, minha boca torta e o nariz que um dia foi quebrado, o elo, a recordação.
Quando olho minha imagem no espelho, meus olhos um tanto cansados de aparência um pouco triste tento ver neles o que ela vê.
Meu avô foi um homem sério que sofreu mais do que deveria ser permitido a um pai e que deu mais alegrias do que pode me contar sua filha. Ele acalentou seus filhos antes de dormir sem saber que eles jamais acordariam e quando os perdeu, perdeu muitas vezes a cabeça, perdeu por vezes a vontade, só não perdeu o amor.
Meu avô foi espelho para uma mãe correta e amorosa, motivo de orgulho para suas netas que não tiveram chance de com ele brincar.
Quando eu era pequena, escutava as histórias que minha mãe contava e dormia com a certeza de que ele estava ao meu lado, que ele olhava por mim.
Meu avô sempre foi esta imagem um pouco fora de foco de um super herói franzino de bigodes que cometeu seus erros, assim como todos nós, mas teve força para seguir em frente. E realmente não me interessa agora o que outros contam, não desejo que lhe rabisquem a face, nem acho justo julgar quando não está mais aqui.
E se me dizem em tom de deboche que tenho os lábios tortos, respondo com certo orgulho que os lábios, assim como os olhos, vieram no pacote que herdei do meu avô. Porque quando olho meu reflexo no espelho tenho a esperança de um dia ser tão carinhosamente lembrada como ele ainda é.
beijo, beijo, beijo
Gi.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Olhos coloridos
Eu parei.
Não que me encante por "olhos coloridos" Mas aqueles certamente já me eram conhecidos.
Tentei evitar o pensamento e continuar meu caminho. "Mas que merda!" De onde conheço o par de olhos?
A mente vagueando a procura da resposta. "Quem sabe se não houvesse barba? E fosse um pouco mais magro..." Um estalo: A resposta vem a mente: "Não, não conheço o dono dos olhos, mas os vi em outro lugar". Em um rosto simpático e amigo, em uma época que fui demasiadamente egoísta para me preocupar com seus sentimentos, demasiadamente ingênua para pensar que não ficaria uma marca.
Outro par de olhos azuis já se fechara ao toque de meus lábios enquanto meu coração buscava esquecer a imagem de outros lábios. Um outro par de olhos azuis me olhava com um carinho inocente pensando que meus olhos tristes lhe retribuiam o olhar. Outros olhos azuis me encararam com um sorriso quando lhe beijei e me falaram em silêncio o quanto esperara por isso. Aquele outro par de olhos provavelmente não entendeu minha fuga, provavelmente se perguntou sobre minha ausência e no momento em que eu sofri pelos olhos castanhos os azuis ainda esperavam pelo meu retorno. O outro par de olhos azuis, não sabe que mais tarde, tarde demais, me preocupei com suas lágrimas, mas não tive coragem de me aproximar outra vez.
beijo nos olhos, beijo no azul...
Beijo...
Gi.
Não que me encante por "olhos coloridos" Mas aqueles certamente já me eram conhecidos.
Tentei evitar o pensamento e continuar meu caminho. "Mas que merda!" De onde conheço o par de olhos?
A mente vagueando a procura da resposta. "Quem sabe se não houvesse barba? E fosse um pouco mais magro..." Um estalo: A resposta vem a mente: "Não, não conheço o dono dos olhos, mas os vi em outro lugar". Em um rosto simpático e amigo, em uma época que fui demasiadamente egoísta para me preocupar com seus sentimentos, demasiadamente ingênua para pensar que não ficaria uma marca.
Outro par de olhos azuis já se fechara ao toque de meus lábios enquanto meu coração buscava esquecer a imagem de outros lábios. Um outro par de olhos azuis me olhava com um carinho inocente pensando que meus olhos tristes lhe retribuiam o olhar. Outros olhos azuis me encararam com um sorriso quando lhe beijei e me falaram em silêncio o quanto esperara por isso. Aquele outro par de olhos provavelmente não entendeu minha fuga, provavelmente se perguntou sobre minha ausência e no momento em que eu sofri pelos olhos castanhos os azuis ainda esperavam pelo meu retorno. O outro par de olhos azuis, não sabe que mais tarde, tarde demais, me preocupei com suas lágrimas, mas não tive coragem de me aproximar outra vez.
beijo nos olhos, beijo no azul...
Beijo...
Gi.
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